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Criar conteúdo e tentar se tornar um novo influenciador está se tornando a nova corrida dos ratos

Criar conteúdo para escapar do emprego tradicional pode estar criando uma nova corrida dos ratos, baseada em seguidores, visualizações e aprovação do algoritmo.

Ucaslino Por Ucaslino
julho 20, 2026
Em Internet e Monetização
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Criar conteúdo e tentar se tornar um novo influenciador está se tornando a nova corrida dos ratos

Foto: Reprodução/Banco de Imagens

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Assisti um vídeo do criador Jimmy (@paginadojimmy), no TikTok, que me fez refletir profundamente sobre o caminho que muitas pessoas estão seguindo atualmente.

A ideia apresentada por ele era provocativa: criar conteúdo e tentar se tornar um novo influenciador está se tornando a nova corrida dos ratos.

E, quanto mais eu penso sobre isso, mais percebo que existe algo muito interessante nessa comparação.

A corrida dos ratos, como conhecemos, representa aquele ciclo em que uma pessoa trabalha para ganhar dinheiro, ganha dinheiro para pagar suas contas, aumenta seus gastos, precisa trabalhar ainda mais e, no fim, nunca consegue realmente sair do lugar.

Ela busca um emprego melhor.

Depois, um salário maior.

Depois, uma casa maior.

Depois, um carro melhor.

E, quando percebe, já está presa a um estilo de vida que exige que ela continue trabalhando cada vez mais.

A promessa era de liberdade.

Mas, muitas vezes, o resultado era apenas uma nova forma de dependência.

Hoje, talvez estejamos vendo o nascimento de uma nova versão dessa corrida.

A nova corrida dos ratos pode estar acontecendo na internet

Durante muito tempo, a internet foi apresentada como uma possível saída.

Uma alternativa ao emprego tradicional.

Uma oportunidade para trabalhar de qualquer lugar.

Uma forma de ganhar dinheiro sem depender exclusivamente de um salário.

E, em muitos casos, isso realmente é possível.

Eu mesmo estou construindo algo na internet.

Também faço parte desse universo de pessoas que estão tentando criar, produzir, ensinar, comunicar e construir novas possibilidades.

Eu não estou olhando para esse fenômeno como alguém que está completamente fora dele.

Pelo contrário.

Eu também entendo o desejo de encontrar uma alternativa.

Muitas pessoas estão cansadas de trabalhar em empregos dos quais não gostam.

Muitas estão cansadas de depender exclusivamente de um salário.

Muitas querem ter mais liberdade.

Querem ganhar mais dinheiro.

Querem construir alguma coisa própria.

E, para muitas delas, a internet parece ser uma das maiores oportunidades disponíveis.

O problema é que, ao entrar na internet para escapar de uma corrida, talvez algumas pessoas estejam simplesmente entrando em outra.

Antes, a pessoa pensava:

“Eu preciso conseguir um emprego.”

Agora, ela pensa:

“Eu preciso conseguir seguidores.”

Antes, ela precisava agradar ao chefe.

Agora, precisa agradar ao algoritmo.

Antes, trabalhava para receber um salário no fim do mês.

Agora, produz conteúdo esperando receber visualizações, alcance, contratos, publicidade ou alguma oportunidade.

Antes, a pessoa precisava subir na carreira.

Agora, precisa crescer nas redes sociais.

A lógica pode mudar de aparência, mas a corrida continua existindo.

O problema não é criar conteúdo

Eu acho importante deixar algo claro: o problema não é criar conteúdo.

Criar conteúdo pode ser uma das melhores oportunidades da atualidade.

Uma pessoa pode ensinar algo que sabe.

Pode divertir outras pessoas.

Pode compartilhar uma experiência.

Pode construir uma comunidade.

Pode vender produtos.

Pode criar um negócio.

Pode encontrar clientes.

Pode desenvolver uma marca.

Pode transformar conhecimento em renda.

A criação de conteúdo pode, sim, ser uma ferramenta de liberdade.

Mas existe uma diferença entre criar conteúdo para construir alguma coisa e criar conteúdo apenas porque você acredita que precisa se tornar um influenciador.

Essa diferença, para mim, é fundamental.

Porque talvez muitas pessoas estejam começando pelo objetivo errado.

Elas não sabem exatamente o que querem ensinar.

Não sabem o que querem construir.

Não sabem qual problema querem resolver.

Não sabem qual transformação querem provocar.

Mas sabem que querem seguidores.

E, a partir daí, começam a procurar qualquer coisa que possa gerar atenção.

Quando a influência se torna o objetivo principal

Eu acredito que existe uma diferença muito grande entre alguém que cria conteúdo porque tem algo a oferecer e alguém que procura algo para oferecer porque quer se tornar um influenciador.

Imagine, por exemplo, um professor.

Ele gosta de ensinar.

Tem conhecimento.

Quer ajudar outras pessoas a aprender.

Então começa a produzir conteúdo.

Nesse caso, a criação de conteúdo é uma consequência natural daquilo que ele já faz.

Agora imagine outra pessoa que pensa:

“Eu quero me tornar um influenciador. O que eu poderia fazer?”

Talvez ela comece a procurar um nicho.

Depois, uma tendência.

Depois, um formato.

Depois, uma personalidade.

Depois, uma opinião.

E, aos poucos, começa a construir uma identidade baseada naquilo que acredita que pode gerar mais atenção.

É claro que isso não significa que toda pessoa que começa pela vontade de crescer está errada.

Mas acredito que existe um risco.

Quando o objetivo principal é apenas ser visto, qualquer coisa pode começar a ser feita para conseguir atenção.

O humor deixa de ser apenas humor.

O ensino deixa de ser apenas ensino.

A opinião deixa de ser apenas opinião.

Tudo passa a ser avaliado pela pergunta:

“Isso vai gerar visualizações?”

E talvez seja justamente aí que a criação de conteúdo começa a se transformar em uma nova corrida.

A paixão virou conteúdo

No vídeo que inspirou esta reflexão, Jimmy fala sobre uma transformação muito interessante da sociedade atual.

Durante muito tempo, as pessoas eram incentivadas a fazer aquilo que amavam.

A famosa ideia era:

“Faça o que você ama e você nunca terá que trabalhar.”

Hoje, porém, até mesmo aquilo que amamos pode acabar sendo transformado em conteúdo.

A pessoa gosta de cozinhar.

Então pensa em criar um perfil de culinária.

Gosta de academia.

Então transforma os treinos em conteúdo.

Gosta de viajar.

Então começa a produzir vídeos sobre viagens.

Gosta de ler.

Então cria uma página sobre livros.

Até aí, não existe necessariamente nenhum problema.

O problema começa quando a pessoa deixa de fazer aquilo simplesmente porque gosta e passa a fazer apenas porque acredita que pode transformar aquilo em uma audiência.

A paixão vira nicho.

A personalidade vira marca pessoal.

A identidade vira posicionamento.

A rotina vira conteúdo.

E, em algum momento, podemos começar a nos perguntar:

Ainda estamos fazendo aquilo porque gostamos ou porque acreditamos que alguém precisa estar assistindo?

Será que todo mundo está tentando se tornar um influenciador?

É impossível dizer que literalmente todo mundo vai se tornar um influenciador.

Mas é difícil não perceber como cada vez mais pessoas estão tentando construir uma presença na internet.

Pessoas comuns.

Profissionais.

Empresários.

Estudantes.

Artistas.

Professores.

Especialistas.

Até mesmo pessoas que nunca tiveram qualquer interesse em aparecer diante de uma câmera estão começando a considerar a possibilidade de criar conteúdo.

E eu entendo perfeitamente o motivo.

A internet oferece uma possibilidade que poucas ferramentas ofereceram antes: a possibilidade de uma única pessoa alcançar milhares ou milhões de outras.

Uma pessoa pode começar com um celular.

Pode gravar da própria casa.

Pode publicar gratuitamente.

Pode construir uma audiência.

Pode encontrar pessoas interessadas naquilo que ela tem a dizer.

Pode criar oportunidades.

Isso é poderoso.

Mas justamente por ser tão poderoso, também pode criar uma nova obsessão.

A obsessão por crescer.

A obsessão por viralizar.

A obsessão por ser reconhecido.

A obsessão por acompanhar números.

A obsessão por nunca parar de produzir.

E, quando a pessoa percebe, talvez ela não esteja mais criando conteúdo para construir liberdade.

Talvez esteja criando conteúdo porque tem medo de desaparecer.

Você pode trocar um chefe por um algoritmo

Uma das partes mais curiosas dessa nova corrida é que muitas pessoas entram na internet justamente para não ter mais um chefe.

Elas querem liberdade.

Querem controlar o próprio tempo.

Querem trabalhar para si mesmas.

Mas, com o tempo, podem acabar desenvolvendo uma relação muito parecida com a que tinham no emprego formal.

Só que agora o chefe é invisível.

É o algoritmo.

Você não sabe exatamente o que ele quer.

Não sabe exatamente por que um vídeo foi distribuído e outro não.

Não sabe por que uma publicação alcançou milhares de pessoas enquanto outra ficou praticamente invisível.

Mas começa a tentar descobrir.

Você observa os números.

Analisa o alcance.

Compara o desempenho.

Muda o formato.

Muda o horário.

Muda o título.

Muda a abordagem.

Muda a própria maneira de falar.

E, pouco a pouco, pode começar a criar não aquilo que realmente gostaria de criar, mas aquilo que acredita que o algoritmo deseja receber.

A pessoa queria escapar de um chefe.

Mas agora passa o dia inteiro tentando agradar a uma máquina.

A busca por dinheiro também pode afastar o público

Eu também tenho pensado muito sobre isso porque o meu conteúdo está diretamente relacionado a dinheiro, negócios, oportunidades e à construção de uma vida financeira melhor.

Eu quero falar sobre dinheiro.

Quero falar sobre como as pessoas podem ganhar mais.

Quero falar sobre negócios, oportunidades e formas de construir renda.

Mas existe uma diferença entre ensinar alguém a ganhar dinheiro e simplesmente tentar ganhar dinheiro com alguém.

Essa diferença pode parecer pequena, mas não é.

Quando uma pessoa percebe que você está ali apenas tentando vender alguma coisa, empurrar uma oferta ou transformar cada interação em uma oportunidade de monetização, talvez ela comece a se afastar.

Por outro lado, quando alguém percebe que você realmente está tentando ensinar, ajudar ou entregar alguma coisa útil, a relação pode ser completamente diferente.

É por isso que eu acredito que a intenção por trás do conteúdo importa.

Se você é um professor, talvez o seu principal objetivo deva ser ensinar.

Se você é um humorista, talvez o seu principal objetivo seja fazer as pessoas rirem.

Se você é um especialista, talvez o seu principal objetivo seja resolver problemas.

Se você é um empreendedor, talvez o seu principal objetivo seja construir algo que gere valor.

A audiência pode surgir como consequência.

A influência pode surgir como consequência.

O dinheiro pode surgir como consequência.

Isso não significa que você não possa pensar em monetização.

Pelo contrário.

Eu acredito que é importante entender como transformar atenção em renda.

Mas existe uma diferença entre criar algo valioso e tentar transformar qualquer coisa em dinheiro.

Talvez a influência devesse ser uma consequência

Eu não acredito que exista algo errado em querer ser influente.

A influência pode abrir portas.

Pode gerar oportunidades.

Pode criar negócios.

Pode ajudar pessoas.

Pode permitir que uma mensagem alcance milhões.

O problema, para mim, está em transformar a influência no único objetivo.

Porque, quando alguém quer apenas ser influenciador, surge uma pergunta importante:

Influente em quê?

O que essa pessoa sabe?

O que ela ensina?

O que ela cria?

O que ela resolve?

O que ela entrega?

Talvez seja muito mais forte quando alguém diz:

“Eu sou professor e crio conteúdo para ensinar.”

Do que simplesmente:

“Eu quero ser um influenciador.”

Talvez seja mais forte quando alguém diz:

“Eu sou humorista e crio conteúdo para fazer as pessoas rirem.”

Do que:

“Eu quero ficar famoso.”

Talvez seja mais forte quando alguém diz:

“Eu estudo dinheiro, negócios e oportunidades e quero compartilhar o que aprendo.”

Do que:

“Eu quero ganhar seguidores falando sobre dinheiro.”

A diferença está no propósito.

Eu também estou tentando construir algo

E aqui eu preciso fazer uma reflexão pessoal.

Eu também estou tentando construir algo.

Eu também quero que o meu conteúdo alcance mais pessoas.

Eu também quero crescer.

Eu também quero construir uma audiência.

Eu também quero ganhar dinheiro com aquilo que estou fazendo.

Seria hipócrita dizer que não.

Mas, ao mesmo tempo, eu não quero que a busca por audiência se torne o motivo pelo qual eu faço tudo.

Eu não quero acordar pensando apenas:

“O que eu preciso publicar hoje para conseguir mais visualizações?”

Eu quero pensar:

“O que eu posso ensinar hoje?”

“Que problema posso ajudar alguém a entender?”

“Que oportunidade posso mostrar?”

“Que reflexão pode fazer alguém enxergar o dinheiro de uma maneira diferente?”

Acredito que existe uma diferença entre querer construir uma audiência e ser dependente da audiência.

Eu quero construir.

Mas não quero que os números determinem completamente aquilo que eu sou ou aquilo que eu tenho para dizer.

Porque, se o meu conteúdo só existe quando ele é bem recebido, talvez eu não esteja realmente criando.

Talvez eu esteja apenas reagindo.

A internet pode ser uma saída, mas não deve se tornar uma nova prisão

Eu acredito que a internet pode, sim, ser uma saída para muitas pessoas.

Pode permitir que alguém encontre uma profissão.

Pode criar novas fontes de renda.

Pode ajudar uma pessoa a construir um negócio.

Pode permitir que alguém deixe um emprego de que não gosta.

Pode dar voz a pessoas que nunca seriam ouvidas pelos meios tradicionais.

Mas a internet não deveria ser tratada como uma fórmula mágica.

Você não precisa simplesmente se tornar um influenciador.

Você precisa descobrir o que pretende construir.

Porque seguidores, por si só, não são liberdade.

Visualizações, por si só, não são liberdade.

Engajamento, por si só, não é liberdade.

E nem mesmo dinheiro, quando você precisa continuar correndo desesperadamente atrás dele, representa necessariamente liberdade.

A pergunta mais importante talvez seja:

O que você está construindo com a atenção que está recebendo?

Você está construindo uma marca?

Um negócio?

Um produto?

Uma comunidade?

Uma profissão?

Uma fonte de renda?

Ou está apenas tentando conseguir a próxima visualização?

Talvez a nova corrida dos ratos seja justamente essa

A antiga corrida dos ratos dizia:

“Trabalhe mais para ganhar mais.”

A nova corrida talvez diga:

“Publique mais para crescer mais.”

A antiga dizia:

“Consiga um emprego melhor.”

A nova diz:

“Consiga mais seguidores.”

A antiga dizia:

“Aumente seu salário.”

A nova diz:

“Aumente seu alcance.”

A antiga era uma corrida atrás de dinheiro.

A nova pode ser uma corrida atrás de atenção.

E talvez o mais perigoso seja que, dessa vez, muitas pessoas acreditam que estão correndo em direção à liberdade.

Talvez algumas estejam.

Mas talvez outras estejam apenas trocando uma forma de dependência por outra.

Trocam o chefe pelo algoritmo.

O salário pelas visualizações.

A promoção pelos seguidores.

O escritório pelo celular.

E continuam correndo.

No fim, talvez a pergunta não seja se você deve criar conteúdo

Eu não acho que a resposta seja parar de criar conteúdo.

Muito pelo contrário.

Acredito que criar conteúdo pode ser uma das maiores oportunidades da nossa geração.

Mas talvez seja necessário fazer uma pergunta antes de começar:

Por que eu estou criando?

Se você quer ensinar, ensine.

Se quer fazer as pessoas rirem, faça-as rir.

Se quer informar, informe.

Se quer construir um negócio, construa.

Se quer falar sobre dinheiro, fale sobre dinheiro.

Se quer criar uma marca, crie uma marca.

Mas talvez seja perigoso começar com o único objetivo de se tornar um influenciador.

Porque, quando a influência se torna o objetivo principal, você pode acabar se tornando uma pessoa que precisa constantemente provar que é relevante.

E a internet nunca diz que você chegou.

Sempre existe alguém com mais seguidores.

Mais visualizações.

Mais alcance.

Mais dinheiro.

Mais influência.

E, se você permitir, a busca nunca termina.

Talvez a verdadeira liberdade não esteja em abandonar um emprego para trabalhar para um algoritmo.

Talvez não esteja em deixar de ter um chefe para passar a obedecer às métricas.

E talvez também não esteja em se tornar famoso.

Talvez a verdadeira liberdade esteja em construir algo que tenha valor suficiente para as pessoas continuarem encontrando valor naquilo que você faz.

Mesmo quando o vídeo não viraliza.

Mesmo quando o algoritmo muda.

Mesmo quando as visualizações caem.

Mesmo quando ninguém está olhando.

Porque, no fim, talvez a diferença entre um criador de conteúdo e alguém preso em uma nova corrida dos ratos esteja justamente nisso:

um está construindo algo; o outro está apenas correndo atrás do próximo número.

E eu ainda não sei exatamente onde essa nova corrida vai nos levar.

Mas uma coisa eu sei: se todo mundo está tentando se tornar um influenciador, talvez a maior oportunidade não esteja em tentar ser mais uma pessoa correndo atrás da atenção.

Talvez esteja em construir algo tão valioso que a atenção se torne apenas uma consequência.

Tags: Internet e Monetização
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